sexta-feira , 8 maio 2026
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EUA interceptam terceiro petroleiro ligado à Venezuela em menos de duas semanas

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EUA interceptam terceiro petroleiro ligado à Venezuela em menos de duas semanas
EUA interceptam terceiro navio perto da Venezuela | Foto: Reprodução/DVIDS

Nova abordagem eleva tensão entre Donald Trump e o governo de Nicolás Maduro e reforça pressão sobre exportações de petróleo venezuelanas

Os Estados Unidos interceptaram neste domingo (21) mais um navio petroleiro ligado à Venezuela, intensificando a tensão diplomática entre o presidente americano, Donald Trump, e o governo de Nicolás Maduro. Este é o terceiro bloqueio a embarcações venezuelanas registrado em menos de duas semanas.

O petroleiro Bella 1, de bandeira panamenha, foi abordado enquanto seguia em direção à Venezuela para carregar petróleo. A informação foi divulgada inicialmente pela agência Bloomberg, com base em fontes que têm conhecimento da operação, e posteriormente confirmada pela Reuters e pela CNN americana. As autoridades dos Estados Unidos falaram sob condição de anonimato e não informaram o local exato da interceptação.

Procurada, a Casa Branca não confirmou oficialmente a ocorrência até o momento, e nenhum representante do governo Trump comentou o episódio.

No sábado (20), os Estados Unidos já haviam bloqueado o superpetroleiro Centuries. Antes disso, no dia 10 de dezembro, foi a vez do petroleiro Skipper ser interceptado. Segundo o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, os dois primeiros navios operavam no mercado negro, fornecendo petróleo a países que estão sob sanções internacionais.

Apesar do aumento das ações, nem todos os embarques de petróleo venezuelano estão sujeitos a bloqueios. Algumas embarcações seguem operando normalmente, inclusive no transporte de cargas provenientes da Venezuela, do Irã e da Rússia. Empresas autorizadas pelo governo americano, como a Chevron, utilizam navios próprios e liberados pelas autoridades dos EUA.

O superpetroleiro interceptado no sábado tinha a China como destino. Documentos obtidos pela Reuters indicam que a carga foi comprada pela empresa Satau Tijana Oil Trading, intermediária envolvida nas vendas da estatal venezuelana PDVSA para refinarias independentes chinesas. Atualmente, a China é a principal compradora do petróleo da Venezuela, que representa cerca de 4% das importações chinesas, o equivalente a aproximadamente 600 mil barris por dia embarcados somente em dezembro.

Pressão econômica e reação venezuelana
O governo Trump tem adotado medidas para sufocar a principal fonte de receita da Venezuela: o petróleo. Especialistas do setor avaliam que, caso as exportações sejam interrompidas, os tanques de armazenamento da PDVSA podem atingir a capacidade máxima, forçando o fechamento de poços de produção.

Trump também classificou o governo venezuelano como uma organização terrorista estrangeira, alegando envolvimento com o narcotráfico. A interceptação do superpetroleiro Centuries chamou atenção por o navio não constar na lista pública de sanções dos Estados Unidos. Apesar de ostentar bandeira panamenha, a carga pertencia a uma empresa chinesa.

A vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, condenou a ação americana e classificou a interceptação como “roubo e sequestro”, descrevendo o episódio como um “grave ato de pirataria”.

Já o presidente Nicolás Maduro acusa Donald Trump de tentar derrubá-lo para assumir o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo. Segundo Maduro, o aumento da presença militar dos Estados Unidos na região tem esse objetivo. Trump, por sua vez, afirmou recentemente que eventuais ataques terrestres ao país “podem começar em breve”.

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